terça-feira, 19 de novembro de 2013

Assoreamento do riacho em Atalaia Nova e os atores sociais


Foz do riacho  assoreada
Foto tirada no mês de dezembro de 2013


Muitos acompanharam a última postagem "Do outro lado da 13"  sobre o desfecho do avanço do mar e as medidas paliativas para contê-lo. Agradeço a todos que compartilharam e gostaram da minha publicação. Espero ter passado um pouquinho da problemática que é de mexer no meio ambiente e que toda alteração feita não é eterna e sim paliativa.

No vai e vem dos comentários, dois atores sociais barracoqueirensses envolvidos diretamente com o meio ambiente e sociedade, comentaram sobre o assoreamento do riacho que fica atrás da comunidade de Atalaianha. São eles: Marina Bezerra, na época secretária do meio ambiente, formanda em Engenharia Florestal, pessoa de muitos projetos e muitas ideias para desenvolver a educação e consciência ambiental em Barra dos Coqueiros. Hoje, junto comigo compõe o Coletivo Sejam Realistas, Exija o Impossível, entidade de luta num município em crescimento sem ordenação, Marina também faz parte do COREN. E Wilson Bernardes, vereador do município de Barra dos Coqueiros na época, citado na postagem anterior, hoje, secretário de assunto especiais de Atalaia Nova (depois em outro momento falo sobre essas "secretarias especias"). Morador que se criou em Atalaia Nova, desfrutando de tudo que a natureza tinha a oferecer, assim como eu, teve sua infância dentro do mangue, pescando, brincando e temeroso com os mitos que o manguezal escondia.

Os dois faziam parte da administração na época (2012), Executivo e Legislativo, um fazia as leis municipais e o outro fazia cumprir, mas o antigo gestor do município, como também o atual, não dava importância para projetos ligados ao meio ambiente, educação e segurança, apenas queriam receber "emendas", viver na "emergência"  e fazer as obrigações, obrigados! Pois se dependesse de qualquer gestor desse município a população seria 100% analfabeta , sem saúde e moradia. Por falar nisso a Barra dos Coqueiros tem 5 áreas de invasão e a muito tempo é cobrado  moradia popular, parece-me que irá sair algumas casas nas vésperas de algum pleito.

Voltando aos comentários.

Não quero desmerecer as outras pessoas que comentaram sobre a postagem, apenas mostrarei o ponto de vistas dos principais atores que vivenciaram o problema.

Os comentários foram retirados do grupo no facebook "Eu amo a Ilha (Barra dos Coqueiros)", grupo que trata sobre assuntos relacionados a Barra dos Coqueiros e região da Ilha de Santa Luzia. Bom, uma dessas postagem foi feita por Pedro Ivo, que publicou a matéria do Blog que gerou uma discussão saudável e muitos cobraram que os atuais vereadores se posicionassem a respeito do tema. 


O Sec. Wilson Bernardes

" Rafael parabéns pelo texto, antes da visita aos manguezais com você, procure a administração passada, mesmo aliado não mostrou interesse em resolve-lo. procurei Genival Nunes que na época presidia a ADEMA, hoje Secretário Estadual do Meio Ambiente, na época eu era vereador e Produtor de Messias Carvalho, o convidava para dá entrevista no Programa Sergipe em Debate na TV, FM e AM Aperipê só para cobrar naquela época uma solução e o então Secretário, com um discurso muito técnico e sem nenhuma ação, tentei marcar várias vezes uma visita ao local e não conseguir. Procurei o IBAMA também não obtive sucesso, que era drenar o riacho que foi assoreado pela obra da coroa do meio. com a nossa visita ao manguezal da Atalaia Nova corri mais ainda, mesmo vendo o manguezal sobrevivendo. levei o Prefeito Airton Martins, secretário de Meio Ambiente, Secretário de Obras e o Pelotão Ambiental da Policia Militar ao local, como a extensão do Riacho assoreado era grande, o Prefeito pediu que resolvesse o problema. Procurei o Alphaville para tentarmos uma solução, já que a maior parte do manguezal estava dentro da área dele, e se o mangue morresse era o maior crime ambiental no município de Barra dos Coqueiros e ele era o culpado. De prontidão visitou o local e se comprometeu em fazer um estudo topográfico da área e como eles não tinham máquinas próprias, as máquinas são da CBV, uma empresa contratada para fazer o lago do empreendimento e não para cavar uma área com água salgada, prejudicando as máquinas, mesmo assim a CBV iniciou a escavação, quando já tinha cavado uns quarenta por cento da área, a máquina atolou no mangue e a empresa retirou as máquinas do local. Foi quando Dilma entregou a Retroescavadeira ao município, consequentemente veio o inverno e encheu todo manguezal,como você citou anteriormente, aí então reiniciamos a drenagem com nossa máquina, fomos denunciados ao Ibama que esteve no local e já presenciou o riacho já aberto e toda água saindo e entrando abastecendo o manguezal, eu e o fiscal "Pife" como é conhecido na Atalaia nova, fomos notificado e prestamos depoimento no Ministério Público Federal, na "treze de Julho" denunciaram que nós estávamos drenando o riacho para abastecer o lago do Alphaville. No depoimento fomos obrigado a nos comprometer que não fazia mas nada no riacho sem uma autorização dos órgãos competentes .Nasci na Atalaia Nova e fui criado dentro daquele manguezal, pegando guaiamum, siri, caranguejo, aratú, tirando ostra e susurú, lembro de tudo... é inesquecível! Como você, fui importante também na drenagem do riacho. Pena que o riacho já está assoreando outra vez..."

Marina Bezerra comenta em seguida:

"Realmente o relato do ex-vereador Wilson Bernades é preocupante, fico até com vergonha,por alguns pontos: 1-a abertura do riacho sem um estudo de impacto também é um crime ambiental, mesmo sabendo que o banco de areia surgiu de um desequilíbrio desobstrui-ló sem avaliar e acompanhar o processo é negligenciar o problema. Digo que fui ao local quando ocupava o órgão desprovido de recursos ,que tinha o nome de secretaria de meio ambiente..., acionei a ADEMA, e depois de muita insistência um fiscal foi comigo ao local, inclusive consta oficio com relatório fotográfico na secretaria, o mesmo detectou uma passagem lateral da parte superior do mangue, ainda muito infama mas que segundo ele levaria a decomposição natural do banco ,aleguei ser insuficiente e pedi a ele uma autorização por escrito para o uso de maquinário caso a situação não fosse revertida e a insalubre condição de empossamento de água do rio e esgoto perdurasse, no entanto o mesmo disse que essa autorização careceria de um estudo, pois bem sai da função, e assumi outras e vejo um relato detalhado do problema 2: 2- Esse é ainda mais contraditório e renderia uns 10 problemas, mas vamos resumir, acionar o Alphaville !uma empresa privada que deveria destinar-se a atividades estritamente econômicas do mercado imobiliário e não possuir interferência politica e social como atividade fim é muito questionável quanto a idoneidade do processo,porém infelizmente em cenário de deficiente controle politico e participação popular mandam as grandes empresa multinacionais,e é ai que entra o pior ainda mangue na área do Alphaville!!!!!! APP mapeada no plano diretor,anterior ao empreendimento não deveria jamais ser particular e estar delimitado por cercas privadas.Vergonha com a conivência e com a naturalização da subserviência politica e degradação ambiental sem dúvida o caso do aterramento do rio Sergipe demanda um posicionamento público das autoridades municipais que se mantem caldas com muito amor pela cidade no coração e pouco amor na pratica,um caso que se interliga umbilicalmente com atalaia nova e Atalainha, área que carece de uma desocupação urgente com um conjunto habitacional dentro do município,que poderia ter acrescido em suas obras a verba de desocupação das mansões invasoras do rio que vemos na atalaia nova, perfazendo em seguida uma área de reconstituição do mangue administrada coletivamente por pescadores e marisqueiras da região,servido ainda como área de troca de saberes e renda para os filhos e netos dos comunitários bem como dos visitantes, porém com tamanha servidão aos Alphavilles e joão Alves da vida vamos ter um frio e vergonhoso calçadão, vamos a luta que amor das palavras é bem diferente do da labuta!
Só para ficar claro que nem a gestão passada tiveram voz ativa na defesa do meio ambiente, se opondo de forma institucional e politica a apropriação e destruição dos recursos naturais por parte dos conglomeradas e de forma igual acontece na atual gestão. ambas preocupadas com a suposta interferência dos pobres e cegas para as mansões! "


Foto 1: Wilson Bernardes observando o Manguezal
Foto tirada em Novembro de 2012

Além do assoreamento causado pela colocação das pedras no bairro Coroa do Meio, o riacho vem sofrendo uma degradação por despejo de esgoto doméstico e lixo. Na imagem abaixo, foto tirada em 2012, o mangue estava sendo usado e ainda é usado de forma inconsciente e humana. O ser humano é o único animal que não consegue viver em harmonia com a natureza. Quando era criança ainda me arriscava a pescar e tomar banho nesse riacho.

Noticias sobre a Barra dos Coqueiros veja no -> Canal de Informações da Barra, Barra dos Coqueiros-SE

Cano domestico despejando efluentes no riacho 
Foto tirada em novembro de 2012


Mudando de assunto, mas continuando no mesmo problema.

Noticia boa.

O Ministério Público Federal em Sergipe (MPF/SE) e o Ministério Público do Estado de Sergipe (MP/SE) ajuizaram ação cautelar na Justiça Federal pela suspensão das obras de defesa litorânea na avenida Beira Mar. Segundo a ação, a obra indicada pelo município envolve medidas definitivas de contenção e está sendo realizada sem a licença ambiental. Além disso, é uma intervenção em área da União e não tem a permissão dos órgãos competentes.
Além disso o Fórum em Defesa da Grande Aracaju está articulando ações com entidades e pessoas ligadas ao meio ambiente, a primeira e mais importante exigir a paralisação da obra até que um estudo de impacto ambiental seja feito, e também vão estabelecer uma agenda ambiental para Aracaju.


Caçamba despejando pedras na foz do Rio Poxim (Afluente do Rio Sergipe)
Foto tirada em Novembro de 2013 

Nota do Fórum:


Movimentos Sociais exigem paralisação do aterro do Rio Sergipe


Cercada de dúvidas quanto às consequências, a “obra de defesa litorânea da Praia 13 de julho” pode vim a se constituir em um dos maiores crimes ambientais em nossa cidade. A ausência de estudos que apontem os impactos dessa obra, tanto para o meio ambiente quanto para as populações de determinadas localidades das cidades de Aracaju e Barra dos Coqueiros, torna essa obra temerária e requer sua imediata suspensão.

Na última quinta-feira, 14, véspera de feriado, na sede da Central Única dos Trabalhadores, os movimentos sociais convocados pelo Fórum em Defesa da Grande Aracaju deliberaram quanto à preocupação com relação às possíveis consequências da referida obra e exigem a paralização imediata das atividades de construção e a necessidade de ser debatida e elaborada uma ampla agenda ambiental para a cidade de Aracaju.

Ao mesmo tempo, os movimentos sociais decidiram por uma agenda de atividades, com data e local a serem definidos, que incluem ato público no local da obra, solicitação de audiências às Câmara de Vereadores, Assembleia Legislativa de Sergipe, ao Juiz Federal responsável pela ação ajuizada pelo Ministérios Públicos Federal (MPF) e Estadual (MPE), à Ordem dos Advogados do Brasil, secção Sergipe (OAB/SE) e realização de seminário para os quais serão convocados todos os segmentos da sociedade, incluindo entidades acadêmicas e órgãos ambientais.

Estiveram presentes à reunião dos movimentos sociais a Central Única dos Trabalhadores (CUT); o Movimento Popular Ecológico (MOPEC); a Associação Desportiva, Cultural e Ambiental do Robalo (ADCAR); a Associação dos Moradores do Bairro América (AMABA); o Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário de Sergipe (SINDIJUS); o Instituto Sílvio Romero; o Instituto de Cidadania e Meio Ambiente; o Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU); o Ciclo Urbano; o Coletivo Seja Realista, Exija o Impossível; o Movimento Não Pago. Ainda participaram o Vereador Doutor Emerson (PT), o Vice-Prefeito da Barra dos Coqueiros, Cláudio Barreto (Caducha) (PT); Rafael Pereira, representando o mandato da deputada Ana Lúcia (PT); a ex-candidata a prefeita de Aracaju, Vera Lúcia (PSTU); representantes do PSOL e estudantes universitários.



Correção: Aline Medeiros

sábado, 9 de novembro de 2013

Do outro lado da 13



Todos os aracajuanos e grande parte dos sergipanos tem conhecimento que a cidade de Aracaju, principalmente os bairros da zona sul (exemplo da Coroa do Meio, 13 de Julho, Jardins e etc.), foram construídos sobre áreas de manguezal e de apicuns. Bom, isso tudo foi feito antes de temos leis especificas do Meio Ambiente e que trata das Áreas de Preservação Permanente-APPs.

No final da década de 80 foi construído o molhe da Coroa do Meio em Aracaju para conter a erosão causada pela força das marés, porém para manter o equilíbrio também foi construído um molhe no lado norte da foz do Rio Sergipe em Atalaia Nova. Segundo Ortiz (2002), a fisiografia (aspectos geológicos) da atual praia de Atalaia Nova NÃO constitui uma paisagem natural, pois resultou de uma intervenção antrópica (ação humana) ocorrida há menos de duas décadas (a partir de 1990): a implantação de um molhe rochoso, construído como parte de um conjunto de obras projetadas para conter os processos erosivos verificados na Coroa do Meio e estabilizar sua foz.  

Atalaia Nova tinha cerca de 500 metros de praia nas margens do rio Sergipe, existiam pontos em que a distância percorrida para chegar até a praia era de 200 metros da Avenida Oceânica/Rio Sergipe, isso no ponto próximo a foz, hoje o mar banha essa avenida. Por ter essa distância "segura" alguns moradores acharam que o mar não iria voltar nesse século, pois na praia já havia formação de muitas dunas e de vegetação de restinga, porém com essa falsa segurança muitos construíram bares e casas sobre o molhe. Aconteceu o que os moradores não esperavam, pois, desde o ano 2000 até o corrente ano (2013) o  mar  veio e vem ocupando o espaço que era dele, chegando até o ponto onde o molhe estava, ponto esse que estava soterrado pelas areias que acumularam por conta do vai e vem do rio.

Abaixo imagens do avanço do mar

Antes do avanço do Mar
Imagem: Google maps

Depois do avanço do Mar
Imagem: Google maps

Vou apresentar registro fotográfico da Av. Oceânica desde 2010, na qual se encontra o bloqueio feito pelo homem para conter o avanço do mar. Na foto "1" nota-se a exposição do molhe, mostrando regiões que tinham muitas pedras subterradas, deixando moradores assustados, porque tinham bem de frente a casa, menos de 10 metros, um mar que oscilava de acordo com a lua, além de ser muito instável. 


Foto 1: Vista do final de linha da Atalaia Nova
Foto tirada em Novembro de 2010

No ano de 2011 o mar já lavava a avenida Oceânica e batia forte nas casas, ameaçando a casa que o governador em exercício Jackson Barreto tem em frente a praia. Com medo de  maiores danos e da perda do valor do imóvel foi colocado mais pedras para impedir o avanço do mar.

A foto "2" e "3" mostram os estragos causado por esse avanço.



Foto 2:  Mureta, calçada e coqueiro derrubado pela força do mar.
Foto tirada em setembro de 2011


Foto 3: Casas destruídas e pedras espalhadas ou expostas pela ação do mar.  
Foto tirada em setembro de 2011


Vale lembrar que essa revirada do mar, por coincidência ou não, começou em 2008 após a colocação de mais pedras no bairro Coroa do Meio, pois na maré de março e na ressaca que aconteceu em outubro de 2007 o mar destruiu bares na Praia do Meio e parte da praça de eventos na Orla de Atalaia (Aracaju).
"A maré de março veio mais alta que o habitual esse ano, e surpreendeu os comerciantes da Orlinha de Atalaia. No início do mês o mar avançou sobre as barracas e começou a arrastá-las, destruindo muitas delas. Os donos do bar esperam agora a maré baixar pra avalizar os prejuízos. (22/03/2007)Portal Infonet.
"O mar avançou mais uma vez na Orla de Atalaia, e destruiu parte da calçada da praça de eventos. Para tentar proteger o estacionamento do local o Departamento Estadual de Habitação e Obras Públicas (Dehop) colocará pedras de contenção na beira da praia. (25/10/2007)Portal Infonet.

Foto 4: Jovens esperando as ondas baterem nas pedras para banhá-los 
Foto tirada em março de 2012


Na foto "4" acima, temos parte do molhe e  mostra que a avenida Oceânica era intransitável para qualquer tipo de veiculo, até mesmo bicicletas.

No inicio de 2013, o Governo de Sergipe começou a colocar mais pedras no molhe da Atalaia Nova para minimizar os impactos causados pelo mar, aproveitando para  também fazer uma avenida transitável, onde há muitos anos não passava veiculo.


Foto 5: Pedras recém colocadas 
Foto tirada em fevereiro de 2013

Bom, eu vejo isso como um verdadeiro trabalho de "português", depois da primeira maré alta, parte da pista foi junto com as ondas. Não sei qual foi o estudo feito para se fazer tanta "cagada" numa obra só.


Foto 7: Parte da avenida Oceânica comprometida.
Foto tirada em fevereiro de 2013


O "problema" do avanço do mar ainda existia e atrapalhava os interesses de muita gente que tinham imóveis em frente a praia. Chega o mês de março, junto com ele o mar mais alto e violento, mesmo sabendo disso, foi colocado mais barro, brita e asfalto na avenida Oceânica, colocaram também uma espécie de rede para conter a retirada de sedimento da avenida.

Foto 8: Maré de Março quebrando nas pedras e nas costas dos bares que ficam no final de linha.
Foto tirada em março de 2013



Foto 9: Avenida Oceânica molhada pela maré de março.
Foto tirada em março de 2013


 Na foto "10" logo abaixo, imagem mais recente, mostra o mar quebrando levemente nas pedras e mostra também a situação da avenida.



Foto 10:  Maré alto
Foto tirada em outubro de 2013


Deixando de lado os danos materiais causados pela alteração que o homem fez na natureza, vou mostrar o que essa manipulação ambiental causou ao meio ambiente e os impactos negativos.

Acho que muitos não vão ler até esse ponto, talvez possa estar enganado e vão ficar interessados e lerão até o final, assim espero. Eu quero, com essa postagem mostrar os danos causados a médio e longo prazo, e que essas mudanças  no bairro Coroa do Meio, junto com a intervenção antrópica local, quase mataram um manguezal localizado em Atalaia Nova, atrás da comunidade de Atalainha. Falarei sobre esse mangue em outra postagem. -->Assoreamento do riacho de Atalaia Nova

Preocupado com as obras do Bairro 13 de Julho, pois a prefeitura de Aracaju pretende invadir o rio Sergipe para dar procedimento a uma obra "politiqueira". Não serei egoísta para dizer que não tem que fazer nada na 13 de Julho para conter o avanço do mar, acho que tem que ser feito algo sim, mas fazer como eles querem, não dá! Pois eles querem entrar 40 metros para dentro do rio Sergipe. Isso vai causar um enorme impacto, não só em Atalaia Nova como também em outras regiões ao longo do rio.

Porque obra "politiqueira"? Essa obra foi apresentada em setembro do ano passado pelo então prefeito Edvaldo Noqueira.


Foto 11: Edvaldo Nogueira apresentando aos aracajuanos um projeto de defesa litorânea para contenção da maré.
Foto de César de Oliveira tirada em setembro de 2012



"Para acabar com os transtornos causados pelo avanço do mar, no calçadão da 13 de Julho, o prefeito Edvaldo Nogueira apresentou aos aracajuanos um projeto de defesa litorânea para contenção da maré. Na ocasião, Edvaldo reuniu técnicos e a imprensa. A área corresponde a uma faixa que vai desde o Mirante da 13 até o Iate Clube de Aracaju. (28/09/2012)"E-aju
"A Prefeitura de Aracaju iniciará definitivamente a obra de revitalização da balaustrada, o que na prática representará o aterramento de 40 metros do rio Sergipe; após a área ter sido cercada com uma rede de proteção, centenas de pedras estão sendo depositadas na tentativa de a prefeitura agilizar o início do serviço...(07/11/2013) "Sergipe 257.


Foto 11: Mar quebrando na Balaustra da Avenida Beira Mar 
Foto tirada em novembro de 2013


Visto tudo isso que aconteceu com o depósito de pedras na Coroa do Meio, entrar 40 metros no rio Sergipe causará um impacto terrível ao meio ambiente ou não?


De um lado, o mar invade ruas e destrói casas e bares, do outro lado o mar deixar de manter a vida  no manguezal. 



Em  minhas caminhadas pelo manguezal no final do ano passado, notei que a água que ali tinha não escoava e notei também que o mangue estava muito seco. Fui até a entrada do rio que irrigava o  mangue pra ver o que estava acontecendo, percebi que a boca do rio estava  assoreada.

O mangue sem ligação com as águas do mar deixa de cumprir seu papel fundamental que é de fornecer nutrientes para muitas espécies marinhas costeiras.


Foto 12: Foz do rio que irriga o mangue em Atalaia Nova
Foto tirada em outubro de 2012


Apresentei minha indignação e minha preocupação aos amigos do facebook, também na época conversei com o vereador de Barra dos Coqueiros Wilson Bernardes, a respeito da situação do mangue. Marcamos de ir ao mangue pra ele ver com os próprios olhos como estava e o que poderia ser feito dentro das possibilidades. Prometeu falar com o responsável de um empreendimento para que esse emprestasse uma retroescavadeira para abrir a boca do rio no período de maré grande.

Nosso passeio pelo mangue aconteceu no mês de novembro do ano de 2012, fomos até o interior do manguezal, chegando lá fiquei muito impressionado como tinha muita vida, muitas pegadas de animais, não tinha cheiro de podre e as árvores estavam produzindo muitos frutos. A região parecia que a muito tempo não era penetrada.  

Entramos no ano de 2013 e nada nos dois primeiros meses foi feito, a nova gestão assumiu a prefeitura daquele jeito, cheia de promessas. Começa então o período chuvoso, depois de dias a quantidade "muriçocas" aumenta de forma anormal. O mangue estava cheio de água empoçada, as águas da chuvas corriam para o mangue. Pena que não era só a água da chuva que fazia esse trajeto, muitas casas em Atalaia Nova despejam seus esgotos no mangue.

A administração local se viu na obrigação de tomar uma medida, aquela situação poderia causar sérios riscos à saúde, além do incômodo dos mosquitos. No mês de março começou a cavar a entrada do rio para pegar a maré alta.



Foto 13: Entrada da foz do rio sendo aberta pela mãos do homem 
Foto tirada em março de 2013 



Foto 14: Obra quase concluída  
Foto tirada em março de 2013  



Chega então o mar tão esperado para dar vazão as águas da chuvas, como também para oxigenar o mangue que há muito não via a água salgada, sem falar que também muitas espécies deixaram de completar parte do ciclo natural, a exemplo de peixes e alguns crustáceos


Foto 14: Foz aberta
Foto tirada em março de 2013

Esse tempo de água parada trouxe algumas consequências: caranguejos mortos, muitos caranguejos atordoados na beira da praia, encontrei muitas fêmeas caminhando perdidas e fracas, pois fazia um bom tempo que o mar não entrava no rio e o caranguejo acompanha o ciclo das águas e da lua. O manguezal estava coberto de barro, não parecia ter tanta vida, tava muito feio e diferente daquele que tinha visto em novembro com o vereador. Tinha criado um tipo de camada amarela no solo e nas árvores, esse barro foi escoado para dentro pela chuva, o barro é proveniente de uma pista antiga que fazia a ligação entre Atalaia Nova e Barra dos Coqueiros.

Foto 15: Pés de manguezal cobertas de barro
Foto tirada em março de 2013



Foto 16: Caranguejo morto coberto pelo barro. 
Fato tirada em março de 2013



Foto 17: Caranguejo fêmea caminhando nas margens do rio Sergipe.
Foto tirada em março de 2013

Quase ia esquecendo, o mangue em questão desemborca em frente a praia formosa, ai eu pergunto; será mesmo que a equipe do prefeito João Alves fez o estudo de impacto ambiental? Essa ocupação irregular do rio Sergipe vale apena? Quanto vale um mangue? Quanto as consequências futuras, quais serão os danos pela morte desse mangue?

Eu sei de muita gente que iria adorar a morte do mangue em questão, os empreendedores da especulação imobiliária  iam cair mantando e agregando valor a bem comum, Atalaia Nova iria se tornar uma nova 13 de Julho ou novo bairro Jardins, bairros construídos sobre o mangue com a conivência dos governos municipal e estadual.

Abertura da entrada do mangue aconteceu no incio deste ano, estamos no final dele, será que continua a mesma coisa? Será que o fluxo do rio existe ? Como anda a boca desse rio?

Bom, estive lá no inicio desse mês para ver como tava a boca do rio, notei que ele mudou o percurso e que estava assoreando novamente aos poucos. A intenção do vereador foi boa, mas parece que não resolveu o problema a longo prazo. Acho que o mar está recusando o mangue.


Foto 18: Boca do rio que irriga o mangue
Foto tirada em novembro de 2013


As obras de invasão do rio Sergipe vão começar nesta segunda-feira, 11 de novembro de 2013.
Pedras foram colocadas, agora é só esperar as consequências desse empreendimento politiqueiro.

Proposta da obra no ano de 2012

"O novo ponto turístico terá ciclovia, calçadão, pier, lago com túnel d´água e deque, equipamentos de ginástica específicos para idosos, pergolados, ponto de ônibus, redários, quiosques, paisagismo, iluminação, acessibilidade, estacionamento e sinalização. Além das amplas áreas de vivência (com mesas e bancos), de contemplação, de recreação infantil com castelo encantado e esportiva com calçadão. (28/09/2012) " E-aju



Foto 19: Pedras sobre a avenida Beira Mar, bairro 13 de Julho Aracaju
Foto tirada em novembro de 2013


Agradeço a atenção e a leitura de todos, espero ter passado meu ponto de vista nessa postagem.

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