quarta-feira, 22 de julho de 2015

A Barra dos Condomínios: Mobilidade somente de automóvel

Os gestores de Barra dos Coqueiros mostram que estão trabalhando para os grandes empreendimentos que chegaram na cidade.

Na noite do dia 21 de julho de 2015, aconteceu uma "Audiência Pública" sobre infraestrutura e "Mobilidade Urbana" da Barra dos Coqueiros. Confesso que fui despreparado para essa audiência, pois só foi divulgado aqui no facebook, na página oficial da prefeitura um dia antes. Não deu tempo de estudar, e rever algumas coisas. 

Lembrando que o plano da mobilidade teria que ser feito até abril de 2015, mas tem um projeto federal de 2014 tramitando no congresso para  estender esse prazo por mais três anos, valendo até abril de 2018. O plano de Mobilidade era pra está anexo ao plano diretor do município. O plano diretor foi revisado no final do ano passado, 2014, sem esse anexo. Fez algumas alterações que só beneficiam os empreendimentos de luxo e deixa de lado qualquer coisa relacionada a mobilidade. 

Na "Audiência de Infraestrutura e Mobilidade Urbana", foi apresentado mudanças e padronização nos nomes das ruas, além da divisão da Barra dos Coqueiros em bairros. Tudo de acordo com os traçados dos condomínios, à exemplo do Bairro Alphaville. Foi falado sobre o uso da estrada velha, transformando-a em uma Avenida, que ligará Atalaia Nova a o centro de Barra dos Coqueiro. Isso porque naquela estrada tem parte do complexo Alphaville e outros condomínio, criando mais uma alternativa para quem tem carro. Vejam que Mobilidade Urbana ai é de quem mora bem, de "bairros" com infraestrutura e segurança privada.

LEI Nº 12.587, DE 3 DE JANEIRO DE 2012.

Art. 6º  A Política Nacional de Mobilidade Urbana é orientada pelas seguintes diretrizes:

I - integração com a política de desenvolvimento urbano e respectivas políticas setoriais de habitação, saneamento básico, planejamento e gestão do uso do solo no âmbito dos entes federativos; 

II - prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado; 

III - integração entre os modos e serviços de transporte urbano;

Entres outros 

Art 18º São atribuições dos Municípios:

I - planejar, executar e avaliar a política de mobilidade urbana, bem como promover a regulamentação dos serviços de transporte urbano; 

II - prestar, direta, indiretamente ou por gestão associada, os serviços de transporte público coletivo urbano, que têm caráter essencial; 

III - capacitar pessoas e desenvolver as instituições vinculadas à política de mobilidade urbana do Município


Voltando "Audiência"


    
Como integrante do Coletivo Sejam Realista Exijam o Impossível(CSREI) questionei sobre o por que na revisão do plano diretor não foi discutido sobre o Plano de Mobilidade, já que a "revisão" foi feita em 2014 e de forma apressada, com somente uma audiência pública no Jatobá. E na "revisão" foi retirada uma rodovia municipal que iriá corta a Barra dos Coqueiros sentido Norte/Sul, Sul/Norte, seria mais uma alternativa para a população se descolar. Além do que essa rodovia iria circundar as lagoas naturais da região, dessa forma protegendo-as e preservando-as. Mas essa rodovia foi retirada, pois atrapalharia os empreendimentos como Thai Residence e Maikai Residencial Resort entre outros que cortam a Barra no sentido Oeste/Leste saindo da Rodovia SE100 e indo até o oceano, passando pelas lagoas naturais. Ou seja os moradores desses espaços teriam uma praia particular. Ver na imagem abaixo.  


Na imagem é possível ver as lagoas naturais, parecendo um rio.
Imagem retirada da internet

Ainda em algumas falas do secretário de obras, ele falou sobre a construção de um viaduto nas proximidades do fórum para atender a essa futura demanda que iria surgir com a construção da avenida ligando a Atalaia Nova ao Centro. Em outra fala, eu disse que construção de viaduto não é prioridade que essa medida era pra beneficiar os proprietários de veículos, pois os usuários do trasporte público iriam ficar na mesma.

O tema mobilidade só veio de fato a ser discutido quando uma senhora questionou sobre os ônibus e as demoras constantes, fazendo com que moradores esperem por mais de 40 min. Pegando o gacho questionei sobre o por que de a Barra dos Coqueiros não integrar de forma completa o sistema de transporte coletivo, onde os ônibus iriam atender todo o município (Jatobá, Olhos d'água, Touro, Canal, Pontal da Ilha) não somente Atalaia Nova e a Barra dos Coqueiros. Não obtive respostas convincentes sobre esse tema, só aquele velho jogo de empurra empurra. Na mesma fala ainda indaguei sobre o "terminal de integração" que não integrar nada a lugar nenhum e é apenas como um grande ponto que foi construído na primeira gestão de Airton Martins ( 2004-2008) e reformado agora na atual gestão do mesmo prefeito que o construiu, o terminal não tem nenhuma serventia. 

Audiência Pública 
Eu sou aquele do meio de camisa amarela
Foto de José Montalvão 


Pra concluir o tema Mobilidade Urbana teve pouco debate e os gestores municipais, assim como TODA câmara de vereadores tem pouquíssimo conhecimento sobre o tema. E assim os gestores seguem trabalhando para os grandes empreendimentos fazendo tudo para agradar os novos moradores endinheirados. Mudando Planos, fazendo vias e viadutos... E as diretrizes da mobilidade ficam em último no plano da Barra.       


terça-feira, 14 de julho de 2015

Avanço do mar em Atalaia Nova

Lembrando que o molhe de Atalaia Nova foi construído para a estabilização da foz do rio Sergipe e contenção dos processos erosivos do bairro Coroa do Meio, na margem direita, em Aracaju.

Cenas do mar avançado sobre as casas da Avenida Beira Rio em Atalaia Nova não são tão novas assim, já vimos esse filme antes, pra ser mais preciso foi  no final de 2011. De lá pra cá, todos os anos as águas do mar "lambem" a Avenida e as calçadas das casas que margeiam o rio Sergipe, principalmente as casas de Atalaianha, casas de pessoas humildes, região que fica em frente ao bairro 13 de Julho em Aracaju.


Maré de março na Atalainha
Foto 1: tirada em março de 2014

Foto 2 e 3 são do mesmo lugar em ano diferentes.

Mureta, calçada e coqueiro derrubado pela força do mar.
Foto 2: tirada em setembro de 2011


Casa reformada, pela imagem nota-se que a casa está abaixo da rua.
Foto 3: tirada Julho de 2015


Casas destruídas e pedras espalhadas ou expostas pela ação do mar na Av. Beira Rio.  
Foto 4: tirada em setembro de 2011

Avenida Beira Rio reconstruída depois do avanço do mar em 2011
Foto 5 : tirada em julho 2015  

Em 2011 o então vice-governador providencio solução (paliativa) para que o mar não ameaçasse seu patrimônio, foi colocando mais pedras para evitar que a casa dele que fica na Av. Beira Rio fosse derrubada pela as águas do mar, assim como outras casas grandes e de alto valor imobiliário que ficam nessa linha de proteção.  A avenida foi reconstruída, antes por muitos anos não passava nem bicicleta e agora passa até caminhão.

"As máquinas contratadas pelo Governo do Estado continuam trabalhando na Atalaia Nova na tentativa de formar uma muralha de pedra para impedir que as águas atinjam as residências construídas à beira-mar. A muralha, segundo previsões da empresa responsável pela obra, poderá atingir extensão aproximada entre 500 e 600 metros, com a possibilidade de chegar a uma altura de três metros com oito metros de largura." Portal Infonet 2011.
(Foto: Cássia Santana /Portal Infonet)
Foto 6: 2011

Mesmo de forma paliativa as pedras só foram colocadas até as proximidades do Bar Zé da Ilha. Do Zé da Ilha até o antigo o hidroviário não foi feito nada, e é a parte que está sendo afetada. O governo teve a oportunidade de fazer, ou melhor de continuar fazendo, mas não fez desde 2013. Agora diz que precisa de estudos, de recursos e outros jogos de empurra empurra entre governo do estado e município. Nesse intervalo de tempo o prefeito de Aracaju fez uma obra à inicio para conter o avanço do mar sobre a avenida Beira Mar e agora a obra será um novo cartão postal da capital, obra feita sem nenhum estudo e cercada por várias mentiras criadas pelos interessados na valorização do bairro 13 de Julho. 


As pedras mais claras foram as últimas a serem colocadas. Nota-se o desnível.
Proximidade do Bar Zé da Ilha
Foto 7: tirada em maio de 2015 


Alguns comentários em redes sociais dizem que o mar está ocupando o que é dele, e foi as pessoas que ocuparam áreas de praias, áreas que eram do mar.

Concordo! Mas de quem é a responsabilidade de fiscalizar as construções no município? É da prefeitura, certo? Ela fez a parte dela? Não! E ainda não faz. Cadê a impessoalidade do governo quando protegeu a casa dele e as casas dos amigos? Porque não continua com serviço? Na época os moradores da região hoje afetada pelo avanço do mar fizeram um abaixo assinado pedindo que o governo continuasse a coloca pedras até o hidroviário. Mas o tal abaixo assinado sumiu de forma misteriosa segundo informações de moradores que assinaram.


Mas o mar continua batendo forte e a arrancando o novo asfalto colocado na nova avenida.
“As ondas que estão passando sobre as pedras e estão causando erosão no material colocado subiram o nível da avenida demasiadamente e quando a água passa entra em algumas casas. Na curva próximo ao bar Zé da Ilha breve carro não passará. Gostaria de ver a mesma ênfase que foi dado ao ocorrido na Praia 13 de Julho, são casos semelhantes, com apenas diferenças sociais, ambas são obras prioritárias, cartão postal de Sergipe”, desabafa morador ao portal Infonet em 2013



Mar continua avançando sobre a Av. Beira Rio
Foto 8: tirada em abril 2015

Moradores esquecida da avenida Beira Rio.
O Mar já derrubou algumas muretas e muros, já estourou canos e já derrubou postes. Os canos foram concertados e a energia estabelecida, mas outros postes correm o risco de cair colocando em risco a vida de pessoas que moram região.


Mar avança sobre casas na Av. Beira Rio
Foto 9: Tirada em Julho de 2015


Onda de destruição na região esquecida pelas autoridades, postes no chão e muro comprometido
Foto 10: tirada em julho/2015

Paliativo para impedir que poste caia sobre as pessoas
Foto 11: tirada em julho/2015


Falando sobre o avanço do mar em Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros-SE com o Cameramam Humberto e a reporte Fernanda da F5 New...




Vejam a situação da praia e o jogo de empurra empurra dos governos na reportagem da F5 new...
Quero agradecer a equipe que esteve presente





Faltou verba ou faltou casa de gente importante?

Tenho muita coisa pra escrever, mas por enquanto fico por aqui. Gostaria de alguma providência para resolver esse problema causado pela falta de planejamento dos governantes do Estado de Sergipe.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Resultados "do outro lado da 13"




Já leram "Do outro lado da 13" ? Se sim, tudo bem, vão entender a historia. Se não, vá lá, vale a pena, você vai entender o porque da minha preocupação.


"O prefeito de Aracaju, João Alves Filho assinou uma ordem de serviço para início imediato das obras de urbanização do Bairro 13 Julho. A assinatura foi realizada na segunda-feira dia 19 de janeiro na Avenida Beira Mar. O investimento da obra é de R$ 4.998.998,78 e o prazo para conclusão é de oito meses." G1Sergipe


Segundo João Alves, a Av. Beira Mar estava ameaçada de desaparecer. A força da água do rio poderia derrubar a estrutura da pista e atingir pedestres e prédios. Com base em que João Alves fez  essa previsão? 

Em vezes de fazer um estudo de impacto ambiental, a administração faz um estudo que comprovou que água daquela região possuía 1200 vezes mais de poluição do que o índice tolerável. Sim, e dai? Em vez de melhorar o tratamento do esgoto da cidade. A gestão do DEM aterra o leito do rio acreditando que fazendo isso a poluição vai reduzir. 

A falta intervenção da União, IBAMA, MPE, MPF, COHIDRO, OAB e a não intervenção da (in)Justiça de Sergipe, sem falar da inoperância, falta de compromisso e negligencia dos gestores do município de Barra dos Coqueiros. Pois os mesmos tinham conhecimento do fato e os gestores pouco se importaram com as consequências geradas pela tal obra.

Vou apresentar alguns fotos da intervenção do homem no meio ambiente.

Na imagem abaixo mostra o Bairro 13 de Julho na década de 80, como podem ver tem uma grande extensão de areia na praia, no canto esquerdo nota-se alguns pés de manguezal, lembrando que a 13 de Julho era área de manguezal e de apicum que foram aterrados para dar formação ao bairro mais nobre de Aracaju. Na imagem nota-se ondas sequenciadas indo em direção a praia "Formosa", mostrando que ai recebia forte influencia do mar de forma direta.


Aracaju na década de 80. Foto de Aracaju na década de 80. Foto de Arivaldo Azevedo Santana, fotógrafo sergipano. Foto do internauta Lineu. Arquivo da Infonet

Trinta anos depois temos o bairro 13 Julho cheio de prédios e um área de mais 350.000 m² de manguezal protegendo o pedaço de chão mais caro de Aracaju. Ocupando a praia que existia e uma grande parte da foz do rio Poxim. Pra quem não sabe, os manguezais são barreiras naturais contra ventos e ondas, reduzindo os impactos causados por fortes tempestades. 
O manguezal apareceu pela construção do bairro Coroa do Meio, reduzindo assim o impacto direto do mar. Permitindo que o mangue se restruturasse, agora bem alimentado pelos dejetos produzido pela população (esgoto) e despejado no leito do rio Poxim. O esgoto jogado no mangue é positivo para especies vegetais, pois aumenta a concentração de CO² no substrato, porém é negativo para especies animais que vivem  na água, o despejo de efluentes domésticos diminui a qualidade da água, deixando-a tóxica para peixes.  


Foto: César Oliveira

Mas o tema é o que está acontecendo do outro lado da 13 com o aterro do rio Sergipe? Quais os resultados?

Bom, em frente a obra da 13 de Julho tem um riacho que irriga o manguezal de Atalaia Nova e que escoa as águas das chuvas do bairro para o rio Sergipe. Hoje o riacho não faz nenhuma dessas duas coisas, apenas acumula o esgoto e a água da chuva dentro do mangue, tal fato ira gera consequência negativas para saúde pública.

1º O esgoto não tratado junto com água da chuva ira acumular dentro do mangue, irá aumentar a concentração de mosquitos, moscas e outros insetos, além de aumentar o número de ratos.

2º O manguezal deixa de cumprir seu papel fundamental. Algumas espécies de peixes e crustáceo dependem do mangue para sobreviver e reproduzir. Sem essa ligação não há continuidade de algumas espécies. Diminuindo a pesca e levando a extinção de algumas espécies na região.

Parece que essas questões são sem importância para os gestores de Barra dos Coqueiros.


Foz do riacho em Atalaia Nova em novembro de 2012

Foz do riacho em Atalaia Nova em março de 2013
    
Foz do riacho em Atalaia Nova em maio de 2013


Foz do riacho em Atalaia Nova em novembro de 2013



Foz do riacho em Atalaia Nova em março de 2014

Foz do riacho em Atalaia Nova em janeiro de 2015



Esse é o resultado da obra da 13 de Julho...

Hoje o rio Sergipe perdeu a interação com o riacho de Atalaia Nova que alimenta e irriga o manguezal da região. Como foi visto nas fotos, a entrada foi assoreada e aberta por retroescavadeiras. Ação feita sem nenhum estudo, pois o em pouco tempo a foz novamente foi assoreada. Tudo isso vem acontecendo de forma paralela "a invasão" ao aterro do rio Sergipe na Avenida Beira Mar, Bairro 13 Julho em Aracaju.

No início deste ano estive outra vez no local para ver como estava o processo de assoreamento do riacho. Notei que terceiros tentaram reabrir mais uma vez o riacho( informação passada por moradores). Também observei que o mar está avança sobre as casas da Atalaianha, colocando em risco os moradores daquela comunidade. Tudo indica que o mar irá fazer outro caminho para o mangue. Na ocasião fraguei duas casas já derrubadas pelo avanço do mar.  

Foz assoreada do riacho, sendo escavada por terceiros. Atalaia Nova, Janeiro de 2015


Casas na Atalainha derrubadas pelo avanço do mar. Janeiro de 2015

As duas coisas estão interligadas e são dependentes. A areia que antes se encontrava na foz do rio Sergipe, lá na Boca da Barra, do lado da Barra dos Coqueiros, uma parte está no fundo do rio e a outra adentrou o rio e se acumulou na praia da 13 de Julho, deixando-a mais rasa, tal fato aumentou a intensidade das ondas sobre a balaustra. As ondas batiam na 13 e se propagavam na direção oposta, ou seja na Atalaia Nova. Isso estava sendo feito de forma tímida até o aterro que reduziu a distância entre as margens, aumentando a intensidade das ondas em Atalaia Nova.


Assuntos relacionados:



Fórum em Defesa da Grande Aracaju contra o Aterro do Rio Sergipe

Assoreamento da foz do Rio Poxim.


Do outro lado da 13
 






Eleições 2020 - Candidaturas - Prazos - Documentos - Papel do Cargo

Imagem: TSE Quem vai disputar as eleições em 2020? Primeiro, para participar de uma eleição como candidato no Brasil, você deve está filiad...