Ricardo Marques Descobre que o Apoio Bolsonarista Não Vem Sozinho
A política brasileira é um roteiro tão repetitivo que às vezes parece remake mal produzido de novela das oito. E quando o sobrenome é Bolsonaro, o enredo já vem com pacote completo: denúncia, áudio vazado, investigação, discurso de perseguição e uma legião de apoiadores jurando que tudo não passa de “coincidência”. O protagonista da vez? Flávio Bolsonaro.
Segundo investigações amplamente divulgadas pela imprensa, o caso das “rachadinhas” envolvendo o senador nasceu a partir de relatórios do Coaf que apontaram movimentações financeiras consideradas atípicas ligadas ao ex-assessor Fabrício Queiroz. O Ministério Público chegou a denunciar Flávio por organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato.
Fontes: Mas no Brasil dos poderosos, o roteiro sempre ganha um capítulo jurídico digno de série da Netflix: uma hora o STJ valida parte das provas, outra hora o STF anula relatórios, depois discutem foro privilegiado, e o cidadão comum tenta entender se está vendo um julgamento ou uma partida de pingue-pongue institucional.
E aí vem a parte mais curiosa (ou tragicômica), dependendo do humor do leitor. Enquanto o discurso oficial do bolsonarismo sempre foi o de “combate à corrupção”, investigações da Polícia Federal apontaram suspeitas de uso da estrutura da Abin para monitorar auditores da Receita que investigavam justamente o caso envolvendo Flávio. Segundo documentos citados pela PF, o objetivo seria encontrar “podres” dos investigadores. Traduzindo para o português claro: combater a corrupção virou, aparentemente, combater quem investiga a corrupção.
Fontes: Tem também o famoso áudio divulgado em 2024, em que Jair Bolsonaro discutia estratégias relacionadas ao caso do filho. A gravação gerou enorme repercussão política e alimentou ainda mais a narrativa de interferência institucional. Depois veio a defesa pública alegando contexto distorcido, perseguição política e aquele repertório já conhecido de “a imprensa mente”. Porque no Brasil moderno, quando a notícia é ruim, o problema nunca é o fato — é sempre quem noticiou.
Fonte: Em Sergipe, o PL parece decidido a transformar a eleição de 2026 numa espécie de franquia oficial do bolsonarismo premium. De um lado, Ricardo Marques tentando vender a imagem de gestor conservador “preparado para governar”. Do outro, Rodrigo Valadares na corrida pelo Senado empunhando a cartilha ideológica mais fiel possível ao clã Bolsonaro. O problema é que, ao embarcarem juntos no mesmo palanque, acabam também dividindo o mesmo pacote de desgaste político. É como aquelas promoções de supermercado: levou um, automaticamente ganha o outro — inclusive com as investigações, polêmicas, áudios vazados e escândalos nacionais inclusos sem custo adicional.
Fontes: A oposição em Sergipe certamente não vai desperdiçar a oportunidade. Afinal, basta uma rápida pesquisa no Google para transformar qualquer debate eleitoral em uma retrospectiva do noticiário político dos últimos anos: rachadinhas, suspeitas envolvendo Fabrício Queiroz, denúncias do Ministério Público, investigações sobre uso da máquina pública e as eternas narrativas de perseguição política. Ricardo Marques e Rodrigo Valadares podem até tentar focar em propostas locais, segurança, economia e valores conservadores, mas a associação direta ao sobrenome Bolsonaro inevitavelmente puxa o debate para Brasília — e Brasília, convenhamos, anda produzindo mais roteiro policial do que estabilidade política.
No fim, parte do eleitor sergipano corre o risco de entrar nessa história como aquele cliente enganado em promoção de loja suspeita: compra “mudança”, “nova política” e “combate à corrupção”, mas recebe em casa um combo de confusão institucional, escândalo reciclado e discurso pronto de perseguição política. E ainda tem quem aplauda como se estivesse assistindo aula magna de honestidade pública. O mais impressionante é a facilidade com que alguns acreditam em qualquer bravata embalada em patriotismo de WhatsApp e vídeo com musiquinha épica, mesmo quando o histórico do grupo parece mais arquivo policial do que currículo administrativo. No fim, o eleitor vira praticamente figurante de um reality político onde os protagonistas colecionam polêmicas e a torcida continua defendendo tudo com a dedicação de fã-clube adolescente em porta de aeroporto.
E há outro detalhe cruel para qualquer aliado regional: a marca Bolsonaro já não produz unanimidade nem dentro da direita. Enquanto parte do eleitorado continua apaixonada, outra parte começa a enxergar o bolsonarismo como um condomínio em eterna assembleia judicial.
No fim, o cenário político brasileiro segue funcionando como aquele seriado que promete última temporada há anos, mas nunca acaba. Todo episódio tem investigação nova, vazamento novo, coletiva nova e alguém dizendo que tudo será esclarecido “no momento oportuno”. O momento oportuno, aparentemente, mora ao lado do Papai Noel e da reforma tributária simples.

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