quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Eleições 2020 - Fim das Coligações

 

Pela primeira vez, vereadores não poderão concorrer por coligações


Imagem: Bastidor Político

Nas Eleições Municipais de 2020, pela primeira vez, candidatos ao cargo de vereador não poderão concorrer por meio de coligações. O fim das coligações na eleição proporcional foi aprovado pelo Congresso Nacional por meio da reforma eleitoral de 2017. Com isso, o candidato a uma cadeira na câmara municipal somente poderá participar do pleito em chapa única dentro do partido ao qual é filiado.


Coligação

As coligações foram uma forma em que os partidos uniam forças para alcançar objetivos eleitorais comuns. Era comum que partidos maiores e com lideranças expressivas lançavam candidatos fortes para cargos do Poder Executivo ( prefeito, por exemplo). Assim, um partido precisava se articular com outros menores, que não tinham condições de vencer as eleições. Isto para alcançar acordos que beneficiem mutuamente a todos. Se um partido menor não consegue disputar um cargo no Executivo, é provável que ele apoie um partido maior. Geralmente com afinidade de objetivos, e acabavam recebendo vantagens, como cadeiras no Legislativo e promessas de cargos. A somar de forças beneficiava a todos os envolvidos.

No caso das eleições para vereador, entra em jogo mais um fator muito importante. As coligações influenciam no cálculo do famoso quociente eleitoral. Se um partido lança uma candidatura sozinho, sem nenhuma coligação, terá de contar apenas os seus votos para conseguir cadeiras na Câmara de vereadores.

Caso o partido seja de uma coligação, ele conta, além dos votos destinados ao partido, com os destinados aos coligados. Isso porque, para fins de contagem de votos recebidos, a coligação é vista como um único partido. Isso aumenta a probabilidade da coligação conseguir cadeiras para seus candidatos, aumentando as chances de pequenos partidos estarem no Legislativo.

O fim das coligações na eleição proporcional foi aprovado pelo Congresso Nacional por meio da reforma eleitoral de 2017. Com isso, o candidato a uma cadeira na câmara municipal somente poderá participar do pleito em chapa única dentro do partido ao qual é filiado.

As coligações eleitorais eram vistas como parte de um ciclo vicioso de corrupção na política brasileira. 

As alianças feitas nas eleições geralmente baseiam-se em promessas, que devem ser cumpridas caso a coligação conseguisse eleger seu candidato. O apoio rendido ao vitorioso precisa ser compensado, normalmente ocorrendo por indicações para cargos em secretarias ou empresas públicas. Essas alianças que se sustentam apenas porque os partidos coligados querem ter controle de parte do aparelho estatal são chamadas de fisiológicas, e portanto prejudiciais para a nossa política.



Eleições Proporcionais (Vereadores em 2020)


Na eleição proporcional, é o partido que recebe as vagas, e não o candidato. No caso, o eleitor escolhe um dos concorrentes apresentado por um partido. Estarão eleitos os que tenham obtido votos em número igual ou superior a 10% do Quociente Eleitoral (QE), tantos quantos o respectivo Quociente Partidário (QP) indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido 

O QE é determinado pela divisão da quantidade de votos válidos apurados pelo número de vagas a preencher, desprezando-se a fração, se igual ou inferior a 0,5, ou arredondando-se para 1, se superior. A partir daí, analisa-se o QP, que é o resultado do número de votos válidos obtidos pelo partido dividido pelo QE. O saldo da conta corresponde ao número de cadeiras a serem ocupadas. 

As vagas não preenchidas com a aplicação do QP e a exigência de votação nominal mínima serão distribuídas entre todos os partidos que participam do pleito, independentemente de terem ou não atingido o QE, mediante observância do cálculo de médias. 

A média de cada legenda é determinada pela quantidade de votos válidos a ela atribuída dividida pelo respectivo QP acrescido de 1(um). À agremiação que apresentar a maior média cabe uma das vagas a preencher, desde que tenha candidato que atenda à exigência de votação nominal mínima. Por fim, depois de repetida a operação, quando não houver mais partidos com candidatos que atendam à exigência de votação nominal mínima, as cadeiras deverão ser distribuídas às legendas que apresentem as maiores médias. 

Eleições majoritárias(Prefeito)


Para o cargo de prefeito, continua sendo possível a união de diferentes partidos em apoio a um candidato. Nesse modelo de representação majoritária, são eleitos aqueles que obtiverem a maioria dos votos, não computados os brancos e os nulos. 

Em caso de empate, aplica-se o critério de maior idade para desempatar a disputa. E, nos municípios com mais de 200 mil eleitores, se nenhum candidato a prefeito alcançar a maioria absoluta no primeiro turno, será realizada nova eleição, em segundo turno, com a participação dos dois mais votados. 

De acordo com a Resolução TSE nº 23.609/2019, que disciplina as regras para o registro de candidatura nas eleições deste ano, “é facultado aos partidos políticos, dentro da mesma circunscrição, celebrar coligações apenas para a eleição majoritária”. 

Nesse caso, as legendas que compõem uma coligação deverão escolher um nome e passarão a obedecer a obrigações e prerrogativas de uma agremiação, ou seja, devem funcionar como um só partido político no relacionamento com a Justiça Eleitoral e no trato dos interesses interpartidários (Lei nº 9.504/1997, art. 6º, parágrafo 1º).


Fontes:







quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Eleições 2020 - Calculos

Quociente Eleitoral - Q.E 



Imagem: Exemplo de Cálculo do Quociente Eleitoral


O quociente eleitoral define os partidos que têm direito a ocupar as vagas em disputa nas eleições proporcionais, quais sejam: eleições para deputado federal, deputado estadual e vereador.


Determina-se o quociente eleitoral dividindo-se o número de votos válidos apurados pelo de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, desprezada a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um, se superior" (Código Eleitoral, art. 106).

Nas eleições proporcionais, contam-se como válidos apenas os votos dados a candidatos regularmente inscritos e às legendas partidárias" (Lei n. 9.504/97, art. 5º). 

Fórmula: 

Quociente Eleitoral (Q.E) = número de votos válidos sobre o número de vagas 

Exemplo: 

100.000 mil
--------------- = 10.000 mil Q.E
10 cadeiras






---------------------------------------------------------------------------------------------------
Partidos                                  Votos (nominais + legenda) validos 
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Partido A                                                 8.000 mil                             
Partido B                                                 10.000 mil                 
Partido C                                                 50.000 mil
Partido D                                                 20.000 mil
Partido E                                                 12.000 mil
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Total de Votos                                       100.000 mil
---------------------------------------------------------------------------------------------------


Logo, apenas o partido A, não conseguiu atingir o quociente eleitoral.

Quociente Partidário 

O quociente partidário define o número inicial de vagas que caberá a cada partido que tenham alcançado o quociente eleitoral.

Determina-se para cada partido ou coligação o quociente partidário, dividindo-se pelo quociente eleitoral o número de votos válidos dados sob a mesma legenda ou coligação de legendas, desprezada a fração" (Código Eleitoral, art. 107). 

Estarão eleitos, entre os candidatos registrados por um partido que tenham obtido votos em número igual ou superior a 10% (dez por cento) do quociente eleitoral, tantos quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido (Código Eleitoral, art. 108).

Fórmula: Quociente partidário(QP) = (número de votos válidos do partido ) / (quociente eleitoral) 

Exemplo:

Partido A - 8.000/10.000=0
Partido B - 10.000/10.000=1
Partido C - 50.000/10.000=5
Partido D - 20.000/10.000=2
Partido E - 12.000/10.000=1,2=1

---------------------------------------------------------------------------------------------------
Partidos                                  Votos (nominais + legenda) validos    Q.P
-------------------------------------------------------------------------------------- -------------
Partido A                                                 8.000 mil                                  0
Partido B                                                 10.000 mil                                1
Partido C                                                 50.000 mil                                5
Partido D                                                 20.000 mil                                2
Partido E                                                 12.000 mil                                1
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Total de Votos                                       100.000 mil                               9
---------------------------------------------------------------------------------------------------


Calculo da Média 



É o método pelo qual ocorre a distribuição das vagas que não foram preenchidas pela aferição do quociente partidário dos partidos. Para as eleições anteriores a 2020, o mesmo cálculo era aplicado às coligações. A verificação das médias é também denominada, vulgarmente, de distribuição das sobras de vagas.

Os lugares não preenchidos com a aplicação dos quocientes partidários e a exigência de votação nominal mínima serão distribuídos mediante observância das seguintes regras:

I – o número de votos válidos atribuídos a cada partido político (ou coligação, se antes de 2020) será dividido pelo número de lugares por eles obtidos pelo cálculo do quociente partidário mais um, cabendo ao partido político ou à coligação que apresentar a maior média um dos lugares a preencher, desde que tenha candidato que atenda à exigência de votação nominal mínima;

* O STF, na ADI n. 5420/2015, suspendeu a eficácia da expressão "número de lugares definido para o partido pelo cálculo do quociente partidário do art. 107", mantido – nesta parte – o critério de cálculo vigente antes da edição da Lei n. 13.165/2015.

II – será repetida a operação para a distribuição de cada um dos lugares;

III - quando não houver mais partidos (ou coligações) com candidatos que atendam às duas exigências do item I, as cadeiras serão distribuídas aos partidos que apresentem as maiores médias.

Atenção!

As vagas não preenchidas com a aplicação do quociente partidário e a exigência de votação nominal mínima, serão distribuídas entre todos os partidos políticos (ou coligações, se antes de 2020) que participam do pleito, independentemente de terem ou não atingido o quociente eleitoral, mediante observância do cálculo de médias.

Fórmula:

Distribuição da 1ª vaga remanescente(1ª Média) = número de votos válidos do partido (ou coligação), dividido pelas vagas obtidas via quociente partidário + 1

Distribuição das demais vagas remanescentes(Médias) = número de votos válidos do partido (ou coligação), dividido pelas vagas obtidas via quociente partidário + vagas remanescentes obtidas pelo partido + 1

Havendo mais vagas remanescentes, repete-se a operação.


Exemplo:

1ª Média

Só temos uma(1) sobra de vaga no exemplo

Partido A - 8.000/(0+1)= 8.000 
Partido B - 10.000/(1+1)=5.000
Partido C - 50.000/(5+1)= 8.333 - maior média
Partido D - 20.000/(2+1)=6.667
Partido E - 12.000/(1+1)=6.000


------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Partidos                                  Votos (nominais + legenda) validos    Q.P            M
-------------------------------------------------------------------------------------- ----------------------
Partido A                                                 8.000 mil                                  0              0
Partido B                                                 10.000 mil                                1              0
Partido C                                                 50.000 mil                                5              1
Partido D                                                 20.000 mil                                2              0
Partido E                                                 11.000 mil                                1              0
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Total de Votos                                       100.000 mil                               9              1
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------




Fontes: 


sábado, 2 de janeiro de 2016

Medalha sem honra e sem mérito e o alto índice de violência do município de Barra dos Coqueiros-SE

Foto: Ascom/Governo do Estado de Sergipe


Na última terça-feira do ano de 2015, 29 de dezembro,  o prefeito do município de Barra dos Coqueiros, Aírton Martins (PMDB), "recebeu" das mãos do Governador do Estado de Sergipe, Jackson Barreto(PMDB), a Medalha de Honra ao Mérito Policial Militar.  

Segundo nota da prefeitura da Barra dos Coqueiros o mérito da  homenagem é o reconhecimento das ações desenvolvidas pela Administração municipal para diminuir os índices de criminalidade na cidade. Coisa que não aconteceu em 2015. A Barra dos Coqueiros é o único município da região da Grande Aracaju que não tem Guarda Municipal e nem Agentes de Trânsitos concursados.  Mostrando que essas medalhas dadas alguns administradores públicos não servem como parâmetro de boa gestão ou de cidade segura, e por "coincidência" o governador e prefeito são da mesma sigla partidária.  

No inicio de dezembro fiz um artigo para o Jornal da Cidadania, jornal mensal que circula na cidade de Barra dos Coqueiros, o título do artigo é "Em 11 meses a Barra dos Coqueiros registra alto índice de violência em 2015". Parece que o governador que tem casa em Atalaia Nova não leu isso, ou não acompanha os noticiários. 

Segue artigo atualizado e editado (01/01/2016)


Foto: Canal de Informações da Barra dos Coqueiros 


Barra dos Coqueiros registra alto índice de violência em 2015, jovem sem acesso ao esporte e a cultura são as principais vítimas. 



Os dados apresentados pelos Mapas da Violência e pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública-SNISP mostram que a violência no Brasil apresenta níveis considerados epidêmicos. A ONU (Organização das Nações Unidas) classifica como violência epidêmica quando há mais de 10 mortes violentas para cada 100 mil habitantes. 

O Brasil apresenta o dobro do aceitável pela ONU. A taxa de homicídio no Brasil é de 21,7% ocupando a 11ª posição entre os países mais violentos do mundo. A taxa de homicídios vária muito entre as regiões brasileiras, mas todas regiões estão acima do aceitável. A maior taxa está na Região Nordeste com 33,76 homicídios por 100 mil habitantes, seguida pela Região Norte, com 31,09. No Centro-Oeste a taxa também é relativamente alta, 26,26. Já as regiões Sudeste e Sul apresentam taxas menores, 16,91 e 14,36, respectivamente. 

Segundo SNISP (dados de 2013) na Região Nordeste o Ceará apresenta a maior taxa, 46,9, seguido por Sergipe com taxa de 45,0, ainda de acordo com o SNISP em seu relatório sobre a segurança pública, fala que os problemas de homicídios nesses dois estados são, sem dúvida, os mais graves. 

A taxa no Brasil em 2014 foi de 23,12% (estima-se 46.881 homicídios), enquanto em Sergipe foi de 48,9% com 1.086 mortes violentas, dados da SSP/SE. Já na Barra dos Coqueiros a taxa foi de 42,72% (12 homicídios, dados extraoficial) uma taxa bastante elevada para um município que está em pleno desenvolvimento urbano no estado de Sergipe. 

O que mais choca na violência de Barra dos Coqueiros é que a maioria das vitimas são jovens em idade economicamente ativa. Segundo o Estatuto da Juventude (Lei 12.852/2013) no primeiro parágrafo do Art. 1º, define como Jovem, as pessoas com idade entre 15 (quinze) e 29 (vinte e nove) anos de idade. 

A taxa de jovens assassinados em Barra dos Coqueiros em 2014 foi de 112,13% (9 homicídios todos do sexo masculino),ou seja, dos 12 homicídios que aconteceu em 2014, os jovens representaram 75% das mortes. 

A ano 2015 fechou com números alarmantes de homicídios (parece que isso não tirou o mérito da medalha). A Barra dos Coqueiros registrou 19 mortes violentas (dados extraoficial) , sendo 10 jovens do sexo masculino. A taxa de homicídio para a Barra dos Coqueiros é de 66,25%. Um aumento de mais de 24% com relação ao ano de 2014. A taxa de homicídio de jovens em 2015 é de 122,05%, um aumento de quase 10% com relação ao ano anterior. A taxa foi calculada com base na população estimada de 2015 do IBGE. 

O Mapa da violência em Sergipe para os dados 2015 deixará a Barra em segundo lugar ranking, perdendo para cidade de Itabaiana que registrou mais de 70 homicídios, dados apresentado por noticiários de sites, a taxa da cidade do agreste sergipano deverá ser mais de 80%. 

Pra concluir o estado de Sergipe está um caos na segurança pública. E governo do estado mostra em suas propagandas de “ações” feitas em seu “novo” mandato que polícia prendeu mais do que nos anos anteriores, que tem mais polícias nas ruas, que o policial é bem remunerado, que as polícias tem equipamentos de ponta e etc.

Mesmo com tudo isso, solicitou apoio do governo federal, pedindo ajuda da Força Nacional para dar segurança aos municípios mais violentos do estado, entre eles está a Barra dos Coqueiros do "novo tempo".  




Aracaju está na 46ª posição no ranking das cidades mais violentas do mundo? Como, me explique?



quarta-feira, 22 de julho de 2015

A Barra dos Condomínios: Mobilidade somente de automóvel

Os gestores de Barra dos Coqueiros mostram que estão trabalhando para os grandes empreendimentos que chegaram na cidade.

Na noite do dia 21 de julho de 2015, aconteceu uma "Audiência Pública" sobre infraestrutura e "Mobilidade Urbana" da Barra dos Coqueiros. Confesso que fui despreparado para essa audiência, pois só foi divulgado aqui no facebook, na página oficial da prefeitura um dia antes. Não deu tempo de estudar, e rever algumas coisas. 

Lembrando que o plano da mobilidade teria que ser feito até abril de 2015, mas tem um projeto federal de 2014 tramitando no congresso para  estender esse prazo por mais três anos, valendo até abril de 2018. O plano de Mobilidade era pra está anexo ao plano diretor do município. O plano diretor foi revisado no final do ano passado, 2014, sem esse anexo. Fez algumas alterações que só beneficiam os empreendimentos de luxo e deixa de lado qualquer coisa relacionada a mobilidade. 

Na "Audiência de Infraestrutura e Mobilidade Urbana", foi apresentado mudanças e padronização nos nomes das ruas, além da divisão da Barra dos Coqueiros em bairros. Tudo de acordo com os traçados dos condomínios, à exemplo do Bairro Alphaville. Foi falado sobre o uso da estrada velha, transformando-a em uma Avenida, que ligará Atalaia Nova a o centro de Barra dos Coqueiro. Isso porque naquela estrada tem parte do complexo Alphaville e outros condomínio, criando mais uma alternativa para quem tem carro. Vejam que Mobilidade Urbana ai é de quem mora bem, de "bairros" com infraestrutura e segurança privada.

LEI Nº 12.587, DE 3 DE JANEIRO DE 2012.

Art. 6º  A Política Nacional de Mobilidade Urbana é orientada pelas seguintes diretrizes:

I - integração com a política de desenvolvimento urbano e respectivas políticas setoriais de habitação, saneamento básico, planejamento e gestão do uso do solo no âmbito dos entes federativos; 

II - prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado; 

III - integração entre os modos e serviços de transporte urbano;

Entres outros 

Art 18º São atribuições dos Municípios:

I - planejar, executar e avaliar a política de mobilidade urbana, bem como promover a regulamentação dos serviços de transporte urbano; 

II - prestar, direta, indiretamente ou por gestão associada, os serviços de transporte público coletivo urbano, que têm caráter essencial; 

III - capacitar pessoas e desenvolver as instituições vinculadas à política de mobilidade urbana do Município


Voltando "Audiência"


    
Como integrante do Coletivo Sejam Realista Exijam o Impossível(CSREI) questionei sobre o por que na revisão do plano diretor não foi discutido sobre o Plano de Mobilidade, já que a "revisão" foi feita em 2014 e de forma apressada, com somente uma audiência pública no Jatobá. E na "revisão" foi retirada uma rodovia municipal que iriá corta a Barra dos Coqueiros sentido Norte/Sul, Sul/Norte, seria mais uma alternativa para a população se descolar. Além do que essa rodovia iria circundar as lagoas naturais da região, dessa forma protegendo-as e preservando-as. Mas essa rodovia foi retirada, pois atrapalharia os empreendimentos como Thai Residence e Maikai Residencial Resort entre outros que cortam a Barra no sentido Oeste/Leste saindo da Rodovia SE100 e indo até o oceano, passando pelas lagoas naturais. Ou seja os moradores desses espaços teriam uma praia particular. Ver na imagem abaixo.  


Na imagem é possível ver as lagoas naturais, parecendo um rio.
Imagem retirada da internet

Ainda em algumas falas do secretário de obras, ele falou sobre a construção de um viaduto nas proximidades do fórum para atender a essa futura demanda que iria surgir com a construção da avenida ligando a Atalaia Nova ao Centro. Em outra fala, eu disse que construção de viaduto não é prioridade que essa medida era pra beneficiar os proprietários de veículos, pois os usuários do trasporte público iriam ficar na mesma.

O tema mobilidade só veio de fato a ser discutido quando uma senhora questionou sobre os ônibus e as demoras constantes, fazendo com que moradores esperem por mais de 40 min. Pegando o gacho questionei sobre o por que de a Barra dos Coqueiros não integrar de forma completa o sistema de transporte coletivo, onde os ônibus iriam atender todo o município (Jatobá, Olhos d'água, Touro, Canal, Pontal da Ilha) não somente Atalaia Nova e a Barra dos Coqueiros. Não obtive respostas convincentes sobre esse tema, só aquele velho jogo de empurra empurra. Na mesma fala ainda indaguei sobre o "terminal de integração" que não integrar nada a lugar nenhum e é apenas como um grande ponto que foi construído na primeira gestão de Airton Martins ( 2004-2008) e reformado agora na atual gestão do mesmo prefeito que o construiu, o terminal não tem nenhuma serventia. 

Audiência Pública 
Eu sou aquele do meio de camisa amarela
Foto de José Montalvão 


Pra concluir o tema Mobilidade Urbana teve pouco debate e os gestores municipais, assim como TODA câmara de vereadores tem pouquíssimo conhecimento sobre o tema. E assim os gestores seguem trabalhando para os grandes empreendimentos fazendo tudo para agradar os novos moradores endinheirados. Mudando Planos, fazendo vias e viadutos... E as diretrizes da mobilidade ficam em último no plano da Barra.       


terça-feira, 14 de julho de 2015

Avanço do mar em Atalaia Nova

Lembrando que o molhe de Atalaia Nova foi construído para a estabilização da foz do rio Sergipe e contenção dos processos erosivos do bairro Coroa do Meio, na margem direita, em Aracaju.

Cenas do mar avançado sobre as casas da Avenida Beira Rio em Atalaia Nova não são tão novas assim, já vimos esse filme antes, pra ser mais preciso foi  no final de 2011. De lá pra cá, todos os anos as águas do mar "lambem" a Avenida e as calçadas das casas que margeiam o rio Sergipe, principalmente as casas de Atalaianha, casas de pessoas humildes, região que fica em frente ao bairro 13 de Julho em Aracaju.


Maré de março na Atalainha
Foto 1: tirada em março de 2014

Foto 2 e 3 são do mesmo lugar em ano diferentes.

Mureta, calçada e coqueiro derrubado pela força do mar.
Foto 2: tirada em setembro de 2011


Casa reformada, pela imagem nota-se que a casa está abaixo da rua.
Foto 3: tirada Julho de 2015


Casas destruídas e pedras espalhadas ou expostas pela ação do mar na Av. Beira Rio.  
Foto 4: tirada em setembro de 2011

Avenida Beira Rio reconstruída depois do avanço do mar em 2011
Foto 5 : tirada em julho 2015  

Em 2011 o então vice-governador providencio solução (paliativa) para que o mar não ameaçasse seu patrimônio, foi colocando mais pedras para evitar que a casa dele que fica na Av. Beira Rio fosse derrubada pela as águas do mar, assim como outras casas grandes e de alto valor imobiliário que ficam nessa linha de proteção.  A avenida foi reconstruída, antes por muitos anos não passava nem bicicleta e agora passa até caminhão.

"As máquinas contratadas pelo Governo do Estado continuam trabalhando na Atalaia Nova na tentativa de formar uma muralha de pedra para impedir que as águas atinjam as residências construídas à beira-mar. A muralha, segundo previsões da empresa responsável pela obra, poderá atingir extensão aproximada entre 500 e 600 metros, com a possibilidade de chegar a uma altura de três metros com oito metros de largura." Portal Infonet 2011.
(Foto: Cássia Santana /Portal Infonet)
Foto 6: 2011

Mesmo de forma paliativa as pedras só foram colocadas até as proximidades do Bar Zé da Ilha. Do Zé da Ilha até o antigo o hidroviário não foi feito nada, e é a parte que está sendo afetada. O governo teve a oportunidade de fazer, ou melhor de continuar fazendo, mas não fez desde 2013. Agora diz que precisa de estudos, de recursos e outros jogos de empurra empurra entre governo do estado e município. Nesse intervalo de tempo o prefeito de Aracaju fez uma obra à inicio para conter o avanço do mar sobre a avenida Beira Mar e agora a obra será um novo cartão postal da capital, obra feita sem nenhum estudo e cercada por várias mentiras criadas pelos interessados na valorização do bairro 13 de Julho. 


As pedras mais claras foram as últimas a serem colocadas. Nota-se o desnível.
Proximidade do Bar Zé da Ilha
Foto 7: tirada em maio de 2015 


Alguns comentários em redes sociais dizem que o mar está ocupando o que é dele, e foi as pessoas que ocuparam áreas de praias, áreas que eram do mar.

Concordo! Mas de quem é a responsabilidade de fiscalizar as construções no município? É da prefeitura, certo? Ela fez a parte dela? Não! E ainda não faz. Cadê a impessoalidade do governo quando protegeu a casa dele e as casas dos amigos? Porque não continua com serviço? Na época os moradores da região hoje afetada pelo avanço do mar fizeram um abaixo assinado pedindo que o governo continuasse a coloca pedras até o hidroviário. Mas o tal abaixo assinado sumiu de forma misteriosa segundo informações de moradores que assinaram.


Mas o mar continua batendo forte e a arrancando o novo asfalto colocado na nova avenida.
“As ondas que estão passando sobre as pedras e estão causando erosão no material colocado subiram o nível da avenida demasiadamente e quando a água passa entra em algumas casas. Na curva próximo ao bar Zé da Ilha breve carro não passará. Gostaria de ver a mesma ênfase que foi dado ao ocorrido na Praia 13 de Julho, são casos semelhantes, com apenas diferenças sociais, ambas são obras prioritárias, cartão postal de Sergipe”, desabafa morador ao portal Infonet em 2013



Mar continua avançando sobre a Av. Beira Rio
Foto 8: tirada em abril 2015

Moradores esquecida da avenida Beira Rio.
O Mar já derrubou algumas muretas e muros, já estourou canos e já derrubou postes. Os canos foram concertados e a energia estabelecida, mas outros postes correm o risco de cair colocando em risco a vida de pessoas que moram região.


Mar avança sobre casas na Av. Beira Rio
Foto 9: Tirada em Julho de 2015


Onda de destruição na região esquecida pelas autoridades, postes no chão e muro comprometido
Foto 10: tirada em julho/2015

Paliativo para impedir que poste caia sobre as pessoas
Foto 11: tirada em julho/2015


Falando sobre o avanço do mar em Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros-SE com o Cameramam Humberto e a reporte Fernanda da F5 New...




Vejam a situação da praia e o jogo de empurra empurra dos governos na reportagem da F5 new...
Quero agradecer a equipe que esteve presente





Faltou verba ou faltou casa de gente importante?

Tenho muita coisa pra escrever, mas por enquanto fico por aqui. Gostaria de alguma providência para resolver esse problema causado pela falta de planejamento dos governantes do Estado de Sergipe.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Resultados "do outro lado da 13"




Já leram "Do outro lado da 13" ? Se sim, tudo bem, vão entender a historia. Se não, vá lá, vale a pena, você vai entender o porque da minha preocupação.


"O prefeito de Aracaju, João Alves Filho assinou uma ordem de serviço para início imediato das obras de urbanização do Bairro 13 Julho. A assinatura foi realizada na segunda-feira dia 19 de janeiro na Avenida Beira Mar. O investimento da obra é de R$ 4.998.998,78 e o prazo para conclusão é de oito meses." G1Sergipe


Segundo João Alves, a Av. Beira Mar estava ameaçada de desaparecer. A força da água do rio poderia derrubar a estrutura da pista e atingir pedestres e prédios. Com base em que João Alves fez  essa previsão? 

Em vezes de fazer um estudo de impacto ambiental, a administração faz um estudo que comprovou que água daquela região possuía 1200 vezes mais de poluição do que o índice tolerável. Sim, e dai? Em vez de melhorar o tratamento do esgoto da cidade. A gestão do DEM aterra o leito do rio acreditando que fazendo isso a poluição vai reduzir. 

A falta intervenção da União, IBAMA, MPE, MPF, COHIDRO, OAB e a não intervenção da (in)Justiça de Sergipe, sem falar da inoperância, falta de compromisso e negligencia dos gestores do município de Barra dos Coqueiros. Pois os mesmos tinham conhecimento do fato e os gestores pouco se importaram com as consequências geradas pela tal obra.

Vou apresentar alguns fotos da intervenção do homem no meio ambiente.

Na imagem abaixo mostra o Bairro 13 de Julho na década de 80, como podem ver tem uma grande extensão de areia na praia, no canto esquerdo nota-se alguns pés de manguezal, lembrando que a 13 de Julho era área de manguezal e de apicum que foram aterrados para dar formação ao bairro mais nobre de Aracaju. Na imagem nota-se ondas sequenciadas indo em direção a praia "Formosa", mostrando que ai recebia forte influencia do mar de forma direta.


Aracaju na década de 80. Foto de Aracaju na década de 80. Foto de Arivaldo Azevedo Santana, fotógrafo sergipano. Foto do internauta Lineu. Arquivo da Infonet

Trinta anos depois temos o bairro 13 Julho cheio de prédios e um área de mais 350.000 m² de manguezal protegendo o pedaço de chão mais caro de Aracaju. Ocupando a praia que existia e uma grande parte da foz do rio Poxim. Pra quem não sabe, os manguezais são barreiras naturais contra ventos e ondas, reduzindo os impactos causados por fortes tempestades. 
O manguezal apareceu pela construção do bairro Coroa do Meio, reduzindo assim o impacto direto do mar. Permitindo que o mangue se restruturasse, agora bem alimentado pelos dejetos produzido pela população (esgoto) e despejado no leito do rio Poxim. O esgoto jogado no mangue é positivo para especies vegetais, pois aumenta a concentração de CO² no substrato, porém é negativo para especies animais que vivem  na água, o despejo de efluentes domésticos diminui a qualidade da água, deixando-a tóxica para peixes.  


Foto: César Oliveira

Mas o tema é o que está acontecendo do outro lado da 13 com o aterro do rio Sergipe? Quais os resultados?

Bom, em frente a obra da 13 de Julho tem um riacho que irriga o manguezal de Atalaia Nova e que escoa as águas das chuvas do bairro para o rio Sergipe. Hoje o riacho não faz nenhuma dessas duas coisas, apenas acumula o esgoto e a água da chuva dentro do mangue, tal fato ira gera consequência negativas para saúde pública.

1º O esgoto não tratado junto com água da chuva ira acumular dentro do mangue, irá aumentar a concentração de mosquitos, moscas e outros insetos, além de aumentar o número de ratos.

2º O manguezal deixa de cumprir seu papel fundamental. Algumas espécies de peixes e crustáceo dependem do mangue para sobreviver e reproduzir. Sem essa ligação não há continuidade de algumas espécies. Diminuindo a pesca e levando a extinção de algumas espécies na região.

Parece que essas questões são sem importância para os gestores de Barra dos Coqueiros.


Foz do riacho em Atalaia Nova em novembro de 2012

Foz do riacho em Atalaia Nova em março de 2013
    
Foz do riacho em Atalaia Nova em maio de 2013


Foz do riacho em Atalaia Nova em novembro de 2013



Foz do riacho em Atalaia Nova em março de 2014

Foz do riacho em Atalaia Nova em janeiro de 2015



Esse é o resultado da obra da 13 de Julho...

Hoje o rio Sergipe perdeu a interação com o riacho de Atalaia Nova que alimenta e irriga o manguezal da região. Como foi visto nas fotos, a entrada foi assoreada e aberta por retroescavadeiras. Ação feita sem nenhum estudo, pois o em pouco tempo a foz novamente foi assoreada. Tudo isso vem acontecendo de forma paralela "a invasão" ao aterro do rio Sergipe na Avenida Beira Mar, Bairro 13 Julho em Aracaju.

No início deste ano estive outra vez no local para ver como estava o processo de assoreamento do riacho. Notei que terceiros tentaram reabrir mais uma vez o riacho( informação passada por moradores). Também observei que o mar está avança sobre as casas da Atalaianha, colocando em risco os moradores daquela comunidade. Tudo indica que o mar irá fazer outro caminho para o mangue. Na ocasião fraguei duas casas já derrubadas pelo avanço do mar.  

Foz assoreada do riacho, sendo escavada por terceiros. Atalaia Nova, Janeiro de 2015


Casas na Atalainha derrubadas pelo avanço do mar. Janeiro de 2015

As duas coisas estão interligadas e são dependentes. A areia que antes se encontrava na foz do rio Sergipe, lá na Boca da Barra, do lado da Barra dos Coqueiros, uma parte está no fundo do rio e a outra adentrou o rio e se acumulou na praia da 13 de Julho, deixando-a mais rasa, tal fato aumentou a intensidade das ondas sobre a balaustra. As ondas batiam na 13 e se propagavam na direção oposta, ou seja na Atalaia Nova. Isso estava sendo feito de forma tímida até o aterro que reduziu a distância entre as margens, aumentando a intensidade das ondas em Atalaia Nova.


Assuntos relacionados:



Fórum em Defesa da Grande Aracaju contra o Aterro do Rio Sergipe

Assoreamento da foz do Rio Poxim.


Do outro lado da 13
 






sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Que festa linda




Charge da site goias24horas



Muda governo, mas as festas são sempre lindas e animadas.
Muda governo, mas os problemas são os mesmos, as reclamações são as mesmas e as campanhas são as mesmas. O importante é a festa, que é sempre linda.

Jovens não lutam como deveriam lutar, pelo menos a maioria.
Jovens reclamam entre si, reclamam sobre a falta de lazer, de não ter o que fazer.
Jovens fazem petições online. Jovens pararam avenidas para brigarem por transportes melhores e por educação de qualidade, mas esses jovens foram reprimidos e criminalizados pelo estado democrático. Para o governo, jovens devem parar avenidas para trio passar, e assim curtir as festas lindas!

Festas com o dinheiro público, festas dos ratos, baratas, cachorros e cavalos nos lixos, festas nas câmaras dos vereadores, nas assembleias, no congresso federal, nos palácios dos governos, festas de carnaval e festas junina... Festas lindas!

E no final da festa temos que ir pra casa, percorrer ruas esburacas e escuras no transporte público caro, surjo, velho e barulhento. Que dor de cabeça deu, talvez seja por conta do barulho do "buzu" ou das drogas lícitas. Vou descer no hospital público mais longe de casa que tiver, é o que temos, hospitais sem médicos, sem remédios e sem macas, chega humano se sentindo desumanizado e sem resposta, talvez seja virose que peguei nessas festas lindas que acontecem todos os dias, as vezes nas caladas, as vezes descaradas.

Enfim, chega na casa, dividas, com contas para pagar, a energia tá cara, e a água não vai chegar, alias chega a conta, dormir sem tomar banho e se lembrar de como a festa foi linda, sabendo que ela nunca muda, e se mudar, continua linda e do mesmo jeito.

Que seja sempre assim, linda, linda para quem quer o povo assim!


Série Especial: (2) A quem interessa apagar a história das catadoras de mangaba da Barra dos Coqueiros?

 2 - Festival da Mangaba: quando a celebração substitui a política pública Quando faltam políticas públicas, sobra palanque. É mais fácil in...