domingo, 5 de junho de 2022

Diario de um Furtado - Parte 8

 

Do dia 03 até o dia 05 -  O tempo passa

Dia 9 – O Valor do Conhecimento

03/06/2022

        Conversando sobre tudo que vinha acontecendo, percebi algo que incomoda: muitas vezes, para que um processo ande com mais agilidade, é preciso ter conhecimento — seja técnico, seja pessoal — dentro do órgão responsável.

        Não deveria ser assim. O acesso ao serviço público deveria funcionar da mesma forma para todos. Mas, na prática, entender os caminhos, saber a quem perguntar e como perguntar faz diferença.

        Essa experiência está me ensinando não apenas sobre furto de veículo, mas sobre funcionamento institucional, limites estruturais e a importância da informação.


Dia 10 – O Silêncio
04/06/2022

Sábado. Em casa.

Nenhuma novidade.

        O silêncio também faz parte do processo. Às vezes, a ausência de informação gera mais ansiedade do que uma resposta negativa.

Mas sigo aguardando.

Dia 11 – Adaptando a Rotina
05/06/2022

            Domingo de atividades ao ar livre. Natureza, deslocamentos por aplicativo e transporte intermunicipal.

            A rotina muda. A dependência do próprio veículo faz falta, mas também ensina adaptação.

            Cada dia longe da moto reforça a importância da mobilidade, mas também mostra que é possível reorganizar a vida enquanto as coisas não se resolvem.

Sigo aguardando os próximos capítulos dessa história.

Dica: 

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Diario de um Furtado - Parte 7

 

Dia 8 – Quando o Sistema Depende de Pessoas

02/06/2022

        Acordei com aquele pensamento já conhecido: as coisas no serviço público não andam no ritmo que o cidadão espera — especialmente quando ele não conhece ninguém “lá dentro”.

        Cheguei ao trabalho como numa manhã qualquer. Meu chefe perguntou sobre a ida à delegacia. Relatei toda a situação, os prazos indefinidos, as informações desencontradas e a ausência de respostas concretas.

           Ele, que já foi da Polícia Civil, achou a situação um absurdo. Na mesma hora ligou para um antigo colega que ainda está na ativa. Descobrimos que ele não estava mais lotado em Aracaju, mas sim no interior. Mesmo assim, pediu que eu enviasse o Boletim de Ocorrência. Encaminhei pelo WhatsApp.

        Ele disse que iria verificar o andamento e tomar providências dentro do possível.

        Pouco depois, meu chefe me atualizou: o problema da demora poderia estar relacionado à falta de guincho para transportar os veículos entre delegacias. A informação era que estavam sem viatura adequada para esse deslocamento, mas que providenciariam uma solução.

Ou seja, não era apenas burocracia. Era também estrutura.

Acompanhe seu caso ativamente. Ligue, pergunte, peça informações. Às vezes, um simples acompanhamento já coloca o processo novamente em movimento.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Diario de um Furtado - Parte 6



Dia 7 – O Labirinto da Burocracia

01/06/2022


    Às 8h30 da manhã liguei para a delegacia especializada. O recepcionista/segurança/telefonista atendeu e transferiu para o setor responsável. Ninguém atendeu. A ligação voltou para ele, que pediu para eu ligar novamente em meia hora.

Liguei às 9h20. O mesmo roteiro.

    Depois disso, liguei para a delegacia onde a moto havia sido inicialmente levada. As informações foram confusas. Disseram que veículos recuperados seguem para a delegacia especializada. Ou seja, eu teria mesmo que resolver tudo lá.

    Alguns amigos que já foram da polícia comentaram algo desanimador: “Às vezes é melhor quando roubam e não encontram, porque a burocracia pode demorar meses.” Confesso que fiquei preocupado. Espero que não seja assim.

    Após o almoço, peguei a bicicleta e fui até a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos. Cheguei por volta das 15h40. Segundo informações anteriores, o expediente iria até às 18h.

Porta fechada...

    Olhei pelo vidro, não vi ninguém. Liguei para o telefone da delegacia. O mesmo segurança/recepcionista/telefonista atendeu. Acenei pelo vidro mostrando que estava do lado de fora. Ele foi atencioso e demonstrou grande conhecimento do funcionamento interno — já estava ali há anos e conhecia bem o “modus operandi” da burocracia.

            Contou que havia uma moto no local há cerca de 17 dias aguardando procedimento. A minha, com 5 dias de recuperação, sequer tinha chegado ali ainda.

        Segundo ele, quando a moto chegar, passará por vistoria da Polícia Técnica para confirmar a identificação. O laudo pode levar no mínimo 30 dias para sair. Após isso, a delegacia entra em contato informando oficialmente a identificação. Com o laudo em mãos, o proprietário deve ir ao Detran para remarcação do chassi.

Tempo estimado total: de dois a três meses.

Enquanto isso, o veículo fica exposto ao sol e à chuva, parado no pátio, sofrendo desgaste.

        Ele ainda comentou que, financeiramente, pode ser mais vantajoso acionar o seguro, devido à demora e à desvalorização. Após a remarcação, o documento passa a constar a sigla “RM” (Remarcação), o que pode impactar no valor de mercado do veículo. No meu caso, não tenho intenção de vender, mas é uma informação relevante.

            Antes de partir, aproveitei o vasto conhecimento para tirar outras dúvidas... Uma amiga teve a moto tomada de assalto faz mais de um ano e nada moto aparecer… Ele disse quando a moto é encontrada e identificada a polícia entrar em contato com o proprietário, mas é bom o número tá atualizado para isso. 

            Saindo de lá, fui até a delegacia onde a moto estava fisicamente. Apenas o segurança atendeu e informou que o atendimento ocorre pela manhã.

Conclusão do dia: aparentemente, os órgãos funcionam melhor no turno matutino — pelo menos para quem precisa de informação.

A sensação não é mais de perda. É de estar dentro de um labirinto burocrático.


Linha do Tempo Político-Administrativa de Barra Dos Coqueiros

  Município de Barra dos Coqueiros – SE Elevado à categoria de município, Barra dos Coqueiros iniciou sua trajetória político-administrativ...